Durante o encontro nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), realizado em Brasília com cerca de 600 delegados de todo o país, lideranças políticas de Goiás foram sondadas sobre quem será o candidato da sigla ao governo estadual. Nos bastidores, no entanto, o cenário ainda é de incerteza e falta de consenso interno.
Aliados próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendem que o nome mais forte para a disputa é o da deputada federal Adriana Accorsi. A avaliação é de que sua candidatura poderia fortalecer o palanque regional e contribuir diretamente para o projeto de reeleição presidencial. Apesar disso, a parlamentar tem reiterado que pretende disputar a reeleição à Câmara dos Deputados, e não o governo estadual.
Diante da resistência, surgem alternativas. Um dos nomes comentados em Brasília é o da vereadora de Goiânia Aava Santiago, filiada ao PSB e vista como próxima ao núcleo político do presidente Lula e da primeira-dama Janja Lula da Silva. Ainda assim, integrantes do PT ouvidos reservadamente indicam que Aava não deve ser a candidata ao governo, sendo mais provável sua tentativa de eleição para deputada federal.
Nos bastidores, há também avaliações estratégicas. Um dirigente petista ouvido aponta que uma eventual candidatura de Aava ao governo poderia abrir portas em caso de derrota, como a ocupação de cargos relevantes na estrutura federal, a exemplo da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). Ao mesmo tempo, há dúvidas sobre sua situação política, diante de questionamentos relacionados à troca partidária.
Atualmente, três nomes estão oficialmente inscritos como pré-candidatos dentro do PT: o advogado Valério Luiz Filho, o jornalista Cláudio Curado e o ex-deputado Luis Cesar Bueno. A disputa interna é tratada com seriedade pela legenda.
Entre interlocutores do partido em Brasília, cresce a percepção de que Luis Cesar Bueno pode emergir como o nome de consenso. Ele conta com apoio de figuras históricas do PT, como José Dirceu e Delúbio Soares, além de ser considerado experiente e sem resistências internas relevantes.
Por outro lado, setores ligados à renovação partidária defendem o nome de Valério Luiz Filho, visto como uma alternativa mais jovem dentro da legenda. Ainda assim, há o reconhecimento de que o PT tem priorizado quadros mais tradicionais em suas decisões estratégicas.
O cenário indica que a definição do candidato ao governo de Goiás pelo PT ainda deve passar por intensas articulações internas, com influência direta de Brasília e impacto no desenho político das eleições de 2026 no estado.



