Papa Leão XIV encerra visita à Espanha com apelo por dignidade e integração de imigrantes

O Papa Leão XIV concluiu sua visita à Espanha neste domingo com uma forte mensagem em defesa dos imigrantes, pedindo políticas de acolhimento e integração que coloquem a dignidade humana no centro das decisões. O último compromisso da viagem aconteceu nas Ilhas Canárias, região que enfrenta diariamente o desafio da chegada de milhares de migrantes em embarcações precárias vindas da África.

A passagem pelas Canárias marcou um momento histórico: foi a primeira visita de um pontífice ao arquipélago. A agenda atendeu a um desejo já manifestado pelo Papa Francisco, que pretendia dar maior visibilidade à crise migratória vivida pelas ilhas.

Segundo dados oficiais, mais de 17 mil migrantes chegaram às Canárias em 2025. Organizações humanitárias alertam que a rota é uma das mais perigosas do mundo, com milhares de mortes registradas durante as travessias pelo Atlântico.

Em Tenerife, Leão XIV se reuniu com imigrantes e representantes de entidades que atuam no acolhimento dessas pessoas. Durante o encontro, destacou que a solidariedade nasce do reconhecimento da dignidade humana e defendeu ações que vão além da assistência imediata.

“O acolhimento abre a porta, mas a integração ajuda a construir o futuro”, afirmou o pontífice.

O Papa ressaltou que integrar não significa apagar a identidade ou a história de quem chega, mas promover um processo de convivência mútua. Segundo ele, os migrantes devem ser acolhidos com respeito, enquanto também são chamados a participar da vida da comunidade que os recebe, aprendendo a língua local, respeitando as leis e conhecendo os costumes.

Durante uma missa celebrada para mais de 30 mil fiéis no Porto de Santa Cruz de Tenerife, Leão XIV agradeceu à população das Canárias pela hospitalidade e reforçou a necessidade de olhar para cada pessoa além das aparências, sejam moradores locais, turistas ou imigrantes.

O líder da Igreja Católica também alertou para o que chamou de “segundo naufrágio” enfrentado por muitos migrantes após a chegada ao destino. Segundo ele, o isolamento social, a falta de oportunidades e a vulnerabilidade podem transformar a integração em um novo desafio.

Ao longo da visita à Espanha, que incluiu passagens por Madri e Barcelona, o Papa manteve o tema migratório como um dos principais focos de seus discursos. Em diversas ocasiões, pediu que a comunidade internacional reflita sobre a situação dos migrantes e criticou a transformação do Mar Mediterrâneo e do Oceano Atlântico em “cemitérios sem lápides”.

Leão XIV também fez um apelo à Europa para que adote respostas solidárias e eficazes diante do fenômeno migratório, rejeitando discursos polarizados e simplificações que, segundo ele, impedem soluções humanas e duradouras para a questão.

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