IA da Microsoft acerta 83% dos diagnósticos em testes e supera médicos

Uma inteligência artificial desenvolvida pela Microsoft alcançou 83% de precisão em diagnósticos de casos médicos complexos, resultado superior ao obtido por médicos generalistas em testes simulados. A tecnologia, chamada MAI-DxO, foi apresentada em um estudo publicado na revista científica Science em outubro de 2026.

Na comparação, os médicos acertaram 36% dos diagnósticos, mesmo com acesso a livros e pesquisas na internet. Os testes utilizaram mais de 300 casos clínicos complexos publicados no New England Journal of Medicine, periódico científico internacional especializado em medicina.

Como funciona a inteligência artificial

Diferentemente de sistemas que analisam todas as informações médicas de uma só vez, o MAI-DxO procura reproduzir etapas de uma investigação clínica. A ferramenta começa com informações limitadas sobre o paciente, identifica quais perguntas devem ser feitas, solicita exames e reavalia as hipóteses conforme os resultados são apresentados.

O sistema funciona como uma equipe médica virtual, coordenando diferentes agentes de inteligência artificial que sugerem diagnósticos, analisam evidências e avaliam quais procedimentos podem ajudar a esclarecer o quadro clínico.

Além da precisão dos diagnósticos, os pesquisadores avaliaram os custos estimados das investigações. Segundo a Microsoft, a tecnologia conseguiu alcançar resultados superiores com menos exames e despesas menores em determinadas configurações.

IA também supera médicos em simulações de emergência

Em outra etapa do estudo, baseada em registros de atendimentos de emergência, o sistema alcançou 80% de precisão, enquanto os médicos obtiveram 47% de acertos.

Apesar dos resultados, a comparação não incluiu médicos especialistas, que normalmente participam da investigação de casos mais complexos. Além disso, os testes foram realizados em ambientes simulados, e o desempenho da ferramenta ainda precisa ser avaliado em atendimentos reais.

A Microsoft planeja testar a tecnologia em parceria com o Beth Israel Deaconess Medical Center, hospital localizado em Boston, nos Estados Unidos. A proposta é avaliar o uso da inteligência artificial na triagem de pacientes em unidades de emergência, comparando suas recomendações com as avaliações realizadas pelos profissionais de saúde.

Tecnologia não substitui médicos

Embora os resultados indiquem avanços no uso da inteligência artificial para identificar doenças, o desempenho em simulações não significa que a ferramenta esteja pronta para substituir médicos.

O atendimento clínico envolve fatores como a avaliação física, a interpretação de informações incompletas, o histórico do paciente e a escolha do tratamento mais adequado. Por isso, a aplicação da tecnologia na rotina hospitalar dependerá de novos estudos que comprovem sua segurança e eficácia.

Neste momento, a expectativa é que sistemas como o MAI-DxO funcionem como ferramentas de apoio aos profissionais de saúde, contribuindo para a investigação de doenças e para a tomada de decisões clínicas.

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