Um teste realizado pelo ICL Notícias apontou diferenças nos resultados apresentados pelo Google para pesquisas relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao plano de assassinato de autoridades investigado após as eleições de 2022. Na consulta “Bolsonaro mandou matar o Lula”, feita em 20 de outubro, o buscador não exibiu uma resposta automática de inteligência artificial (IA) e colocou entre os primeiros resultados uma reportagem crítica a uma campanha digital do deputado André Janones (Rede-MG).
Segundo o veículo, ao substituir o nome de Bolsonaro por outros nomes, como “João” e “Cleber”, a resposta automática voltou a aparecer. O teste também foi repetido diretamente no Modo IA do Google, que apresentou informações sobre as investigações e a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A reportagem que apareceu em destaque na busca convencional criticava a mobilização promovida por Janones para incentivar usuários a pesquisar a frase sobre Bolsonaro e Lula.
O que a inteligência artificial respondeu
Ao acessar diretamente o Modo IA e perguntar se Bolsonaro havia mandado matar Lula, o ICL recebeu uma resposta que destacava a ausência de condenação específica ou de comprovação de uma ordem direta do ex-presidente para executar o assassinato.
Na sequência, a ferramenta mencionou a denúncia da PGR sobre a suposta participação de Bolsonaro na trama golpista e o plano Punhal Verde e Amarelo, que previa ações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O caso foi investigado pela Polícia Federal e integrou as apurações sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A PGR sustentou que Bolsonaro tinha conhecimento do plano e concordou com ele. A defesa do ex-presidente nega envolvimento.
É importante distinguir as acusações relacionadas ao plano de assassinato da condenação de Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado. A existência de investigações e de condenações de outros envolvidos não significa, por si só, que tenha sido comprovada uma ordem direta de Bolsonaro para matar Lula.
Campanha de Janones motivou o teste
A iniciativa do deputado André Janones incentivou apoiadores de Lula a pesquisar a frase sobre Bolsonaro e o plano contra o presidente. A mobilização ocorreu em meio à disputa eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
De acordo com o ICL, o objetivo era ampliar a circulação de informações sobre as investigações e recolocar o assunto no debate público. O veículo observou que, na busca convencional, a crítica à campanha de Janones apareceu entre os primeiros resultados, enquanto as informações sobre o caso foram apresentadas de outra forma no Modo IA.
O experimento, contudo, não permite concluir que o Google tenha manipulado deliberadamente os resultados para favorecer ou prejudicar um candidato. Os resultados podem variar conforme os mecanismos de classificação, o contexto da consulta e os critérios usados para exibir respostas automáticas.
O que diz o Google
Procurado pelo ICL Notícias, o Google negou favorecer ou prejudicar candidatos ou correntes políticas em seus produtos.
A empresa afirmou que não manipula resultados de busca nem modifica seus sistemas para favorecer ou desfavorecer ideologias, pontos de vista ou candidatos. Também explicou que as respostas automáticas de IA não aparecem em todas as pesquisas e que existem mecanismos de proteção para evitar sua exibição em assuntos considerados sensíveis.
Segundo o Google, nesses casos, o buscador pode direcionar os usuários a diferentes fontes de notícias e informações oficiais. A empresa acrescentou que o Modo IA produz respostas com base em conteúdos disponíveis na internet e apresenta links para que os usuários consultem as fontes originais.



