Os supermercados de Goiás podem deixar de abrir aos domingos a partir de abril, caso haja acordo entre patrões e empregados durante a campanha salarial da categoria. Além do fechamento aos domingos, o sindicato que representa os trabalhadores também defende a redução da jornada semanal de 40 para 36 horas. A negociação ocorre paralelamente ao debate no Congresso Nacional, em Brasília, sobre o possível fim da escala 6×1 em todo o país.
As tratativas envolvem o Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de Goiás (Secom-GO) e o Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios no Estado de Goiás (Sincovaga-GO), que representa os empresários do setor. Segundo as entidades, as negociações estão previstas para ocorrer ao longo deste mês, com a intenção de que a eventual convenção coletiva passe a valer a partir de 1º de abril, data-base da categoria.
O processo segue três etapas: primeiro, o sindicato dos trabalhadores encaminha uma minuta com as reivindicações; em seguida, o sindicato patronal apresenta uma contraminuta com os pontos de concordância e eventuais ajustes; por fim, havendo consenso, o documento é assinado e passa a vigorar na data estabelecida. Caso não haja acordo, permanecem válidos apenas acordos coletivos firmados por empresa ou grupo de empresas.
Atualmente, os funcionários dos supermercados cumprem jornada de oito horas diárias, com uma folga semanal variável, conforme a escala adotada por cada empresa, modelo conhecido como 6×1. De acordo com o procurador jurídico do Secom-GO, José Nilton Carvalho, a proposta de garantir folga aos domingos e reduzir a carga horária pode beneficiar cerca de 45 mil trabalhadores em todo o estado. A expectativa é que a minuta seja encaminhada até esta semana, para que as diretorias e departamentos jurídicos de ambas as entidades se reúnam entre os dias 25 e 30 de março e definam a convenção.
Geração Z
Outro argumento apresentado pelo sindicato laboral é a dificuldade de contratação, especialmente entre jovens da chamada Geração Z, nascidos entre 1995 e 2009. Segundo a entidade, há um déficit estimado de 7 mil trabalhadores apenas na Região Metropolitana, em razão da baixa procura por vagas no setor. A avaliação é que a redução da jornada para seis horas diárias e o fechamento aos domingos poderiam tornar as vagas mais atrativas e ampliar o número de contratações no estado.

