O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial do Will Bank, encerrando o funcionamento da instituição financeira e deixando clientes e investidores em dúvida sobre o destino de seus recursos.
A medida é resultado de um processo iniciado após a liquidação do Banco Master, controlador do banco digital, e segue os procedimentos previstos para a retirada organizada de uma instituição do Sistema Financeiro Nacional.
Desde a decisão, clientes relatam dificuldades operacionais: o aplicativo ainda permite visualizar saldos e limites, mas compras, pagamentos e transferências via PIX não estão sendo concluídos.
O que muda para quem tinha conta no Will Bank?
Com a liquidação, contas correntes, contas de pagamento e demais serviços deixam de operar normalmente.
Segundo o Banco Central, os valores mantidos pelos clientes passam a integrar o processo de liquidação e serão pagos de acordo com as garantias existentes e a ordem legal de preferência entre credores. O liquidante nomeado será o responsável por apurar os valores devidos e conduzir os pagamentos possíveis.
Depósitos e aplicações simples estão protegidos?
Sim, dentro de limites específicos. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre até R$ 250 mil por pessoa, considerando o conjunto de depósitos e produtos elegíveis mantidos na instituição.
O economista Lucas Girão explica que depósitos e produtos cobertos pelo FGC podem ser ressarcidos diretamente pelo fundo, geralmente pelo aplicativo do FGC. Valores acima do limite entram no processo de liquidação e só poderão ser recuperados ao longo do tempo, conforme o rateio entre credores.
E quem investiu em CDBs do Will Bank?
Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo banco também são protegidos pelo FGC, até o limite de R$ 250 mil por CPF. Assim, investidores de CDBs elegíveis devem ter seus recursos garantidos dentro desse teto.
A principal diferença entre correntistas e investidores está no tipo de produto contratado, mas, no caso do Will Bank, tanto depósitos em conta quanto CDBs podem ter cobertura do FGC, desde que respeitados os limites. Valores acima do teto entram no processo de liquidação como créditos a serem pagos se houver disponibilidade de recursos.
E os cartões de crédito, como ficam?
Com a liquidação, a emissão e o processamento dos cartões de crédito são suspensos. Na prática, isso significa que os cartões deixam de funcionar.
Quanto às faturas já geradas, elas continuam válidas e devem ser pagas.
Lucas Girão destaca que bandeiras como Mastercard, Visa e Elo podem suspender novas transações imediatamente, mas os gastos realizados antes da liquidação não são cancelados.
Posso ser cobrado ou negativado?
Sim. Mesmo após a liquidação do banco, as dívidas existentes permanecem, e o cliente pode sofrer consequências por atraso, como juros e inclusão em cadastros de inadimplentes.
Segundo Girão, a dificuldade pode estar apenas no acesso a boletos, faturas ou ao aplicativo, mas o compromisso financeiro do cliente não é extinto pela liquidação.
Em resumo, a liquidação do Will Bank interrompe o funcionamento do banco, mas não anula dívidas já assumidas. Depósitos e CDBs têm proteção do FGC até R$ 250 mil por CPF, enquanto valores acima desse limite seguem o processo de liquidação para possível ressarcimento futuro. Cartões deixam de funcionar, mas faturas existentes continuam obrigatórias.

