O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que acredita na permanência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República, apesar dos conflitos internos envolvendo sua pré-candidatura. Em entrevista aos jornalistas Lauriberto Pompeu e Victoria Azevedo, de O Globo, Kassab avaliou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria Flávio em um eventual segundo turno, mas seria derrotado pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).
“Se for Flávio contra Lula, o Lula ganha. Se for o Caiado contra o Lula, o Caiado ganha”, afirmou.
Segundo Kassab, Lula poderia explorar a alta rejeição atribuída ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto Caiado não enfrentaria o mesmo nível de resistência entre os eleitores. Ainda assim, disse que Flávio tem razões para manter sua candidatura diante dos índices registrados nas pesquisas.
O dirigente também apontou que as divergências envolvendo pessoas próximas à campanha enfraquecem o senador. Ao comentar a atuação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Kassab afirmou que os problemas internos são evidentes.
Kassab ressaltou que a candidatura de Caiado foi concebida desde o início como uma “chapa pura” do PSD e afirmou que o partido foi o único a resistir às aproximações tanto do bolsonarismo quanto do petismo. Na avaliação do presidente da legenda, Caiado representa uma “direita moderada”, com experiência administrativa e capacidade de diálogo, devendo concentrar sua campanha em propostas e resultados de gestão.
Apesar de lançar candidatura própria ao Planalto, o PSD não exigirá alinhamento dos candidatos aos governos estaduais com Caiado. Kassab explicou que as disputas regionais possuem peso semelhante à eleição presidencial e que as redes sociais reduziram a dependência dos palanques estaduais. Como exemplo, citou o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que poderá aparecer ao lado de diferentes candidatos à Presidência em razão das alianças locais.
Na entrevista, Kassab também criticou a atuação dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro durante a crise do tarifaço, afirmando que o posicionamento inicial de Eduardo trouxe desgaste para a imagem da família e que Flávio tenta reverter esse cenário.
Por fim, o presidente do PSD defendeu mudanças no modelo de emendas parlamentares, classificando como “absurdo” o volume de aproximadamente R$ 60 bilhões reservado no Orçamento para essa finalidade. Segundo ele, Caiado deveria se posicionar contra a manutenção do sistema atual.



