Homem que manteve ex-esposa acorrentada em Águas Lindas diz usar calmantes por “crises nervosas”

A Justiça manteve preso preventivamente o comerciante Ailton Rodrigues de Souza, detido suspeito de sequestrar e manter a ex-esposa, de 24 anos, em cárcere privado por cinco dias, em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada no sábado (22), após pedido do Ministério Público de Goiás (MPGO).

Durante a audiência, Ailton afirmou ao juiz Cristian Assis que é Colecionador, Atirador e Caçador (CAC) e que faz uso de medicamentos calmantes para controlar o que chamou de “crises nervosas”. Segundo ele, os remédios também seriam utilizados para ajudá-lo a dormir.

“Faço uso de alguns calmantes para me ajudar a dormir. Tenho feito uso desses medicamentos há algum tempo. […] Sou CAC, não fiz uso da arma. A arma estava guardada”, declarou o investigado.

A vítima foi localizada pela Polícia Militar na última sexta-feira (21), em um imóvel utilizado como cativeiro. Ela estava em estado de choque, presa a uma cama com correntes de ferro e várias cordas, em condições consideradas insalubres.

Segundo o relato apresentado à PM, a mulher teria sido abusada sexualmente diversas vezes durante o período em que permaneceu no local. Ela também contou que era obrigada a usar uma máscara para impedir que vizinhos ouvissem seus pedidos de socorro.

A vítima estava desaparecida desde segunda-feira (17), quando saiu de casa para uma consulta médica e não retornou. Naquele dia, ela havia utilizado um mototáxi para chegar à clínica localizada na região da Barragem 1. Imagens de câmeras de segurança registraram a mulher deixando o estabelecimento, sendo esse o último momento em que havia sido vista.

As investigações apontam que, após deixar a clínica, ela teria sido abordada pelo ex-companheiro e levada para o cativeiro. A suspeita é de que tenha sido mantida sedada durante parte do período.

O próprio Ailton também chegou a ser dado como desaparecido na terça-feira (18). Durante a abordagem policial, ele teria tentado fugir e resistido à prisão, mas acabou detido.

A localização do cativeiro foi possível após os policiais analisarem endereços relacionados ao investigado. No imóvel, foram apreendidos um carro, uma arma de fogo, algemas, cordas, correntes e medicamentos sedativos.

O caso continua sob investigação da Polícia Civil de Goiás (PCGO). Ailton permanece preso preventivamente e deverá responder pelas acusações relacionadas ao sequestro e cárcere privado, além de outros crimes que possam ser identificados no decorrer da investigação.

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