Os danos à saúde associados às apostas online representam um impacto estimado de R$ 30,6 bilhões por ano para o Sistema Único de Saúde (SUS). O valor consta de um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), que analisou os custos relacionados aos problemas de saúde provocados pela dependência em jogos e apostas.
Segundo o levantamento, a estimativa inclui despesas relacionadas ao tratamento de depressão e ansiedade, além dos impactos decorrentes de mortes por suicídio. Do total arrecadado pelas empresas de apostas, apenas 1% é destinado ao Ministério da Saúde para ações de redução dos danos relacionados à atividade.
A procura por atendimento na rede pública em razão da dependência de apostas online e jogos de azar também aumentou. Nos últimos cinco anos, houve crescimento de 140% na busca por serviços de saúde relacionados ao problema, de acordo com dados apresentados pelo Ministério da Saúde.
Diante do aumento da demanda, o Ministério da Saúde ampliou a estrutura de atendimento remoto para pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas. A capacidade, que era de 600 atendimentos mensais em março, passou a ser de até 100 mil atendimentos por mês.
Desde fevereiro, cerca de 20 mil pessoas se cadastraram no serviço eletrônico após realizar um teste relacionado ao comportamento de apostas. A iniciativa é realizada em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).
Outro indicador citado pelo Ministério da Saúde é a plataforma de autoexclusão criada pelo governo federal. Até 18 de setembro, mais de 1 milhão de pessoas haviam solicitado o bloqueio de suas contas em sites de apostas, enquanto mais de 5 milhões de CPFs já tinham sido bloqueados em plataformas autorizadas.
O estudo do IEPS também estima que, quando outros impactos sociais são considerados, como perda de emprego e moradia, o custo relacionado às apostas pode chegar a R$ 38,8 bilhões por ano.

