Eleições nos EUA: democratas conquistam Congresso e impõem derrota histórica a Trump

O Partido Democrata conquistou o controle das duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3). O resultado, confirmado na madrugada desta quarta-feira (4), representa uma importante derrota política para o presidente Donald Trump, que perde a maioria parlamentar que os republicanos mantinham desde o início de seu segundo mandato.

No Senado, os democratas conquistaram sete cadeiras que estavam sob controle republicano e chegaram a 54 das 100 vagas, garantindo maioria na Casa. Entre os estados onde ocorreram as viradas estão Texas, Kansas, Iowa, Maine, Carolina do Norte, Ohio e Carolina do Sul.

Na Câmara dos Representantes, o partido também superou o número de 218 cadeiras necessárias para assumir o controle da Casa, que possui 435 integrantes. A vitória altera o equilíbrio de forças em Washington e cria obstáculos para a agenda legislativa de Trump nos dois anos restantes de governo.

Vitórias históricas em redutos republicanos

Um dos resultados mais expressivos ocorreu no Texas, tradicional reduto republicano. O democrata James Talarico derrotou Ken Paxton, candidato apoiado por Trump, na disputa pelo Senado. No mesmo estado, Gina Hinojosa venceu o governador republicano Greg Abbott e conquistou o comando do governo estadual.

No Kansas, Adam Hamilton venceu o republicano Roger Marshall e garantiu aos democratas uma cadeira no Senado que o partido não conquistava desde 1932. Já na Carolina do Sul, Annie Andrews derrotou Darline Graham e encerrou uma sequência de décadas de domínio republicano na disputa pela vaga.

Outras vitórias importantes ocorreram no Maine, onde Troy Jackson derrotou a senadora Susan Collins, e em Ohio, com o retorno de Sherrod Brown ao Senado após vencer Jon Husted.

Derrota também reflete insatisfação com governo

O resultado eleitoral é considerado um sinal de insatisfação de parte do eleitorado com a administração Trump. Entre os fatores apontados estão o aumento do custo de vida, a inflação, a alta dos combustíveis, os questionamentos sobre a condução do governo e a participação dos Estados Unidos na guerra contra o Irã.

Durante a campanha, Trump pediu que seus apoiadores votassem nos candidatos republicanos como se o próprio presidente estivesse disputando as eleições. Mesmo assim, nomes que receberam seu apoio foram derrotados em disputas importantes.

Após a divulgação dos resultados, Trump minimizou o impacto da derrota. 

Em entrevista à emissora Fox News, afirmou que não considera o resultado um revés pessoal e defendeu o desempenho de sua administração. Em publicação na rede Truth Social, também alegou que os republicanos teriam vencido com ampla vantagem caso seu nome estivesse nas urnas.

O que muda no governo Trump

Com o controle das duas casas do Congresso, os democratas terão maior poder para definir prioridades legislativas, barrar propostas do governo e fiscalizar as ações da administração republicana.

A oposição também poderá ampliar investigações parlamentares envolvendo o presidente e integrantes de seu governo, além de dificultar a aprovação de indicações para cargos importantes, que dependem do aval do Senado.

A mudança de comando não retira os poderes presidenciais de Trump, que continua à frente do Executivo e mantém a prerrogativa de vetar projetos aprovados pelo Congresso. No entanto, a nova composição parlamentar deve tornar os próximos dois anos de seu governo mais difíceis, com maior resistência às iniciativas da Casa Branca.

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