Metade dos profissionais no Brasil cria aplicativos e automações sem participação da equipe de TI

Metade dos profissionais de empresas brasileiras já participou da criação de automações, aplicativos, painéis ou integrações sem passar por projetos formais da área de Tecnologia da Informação (TI). O dado é do levantamento Panorama Vibe Coding Brasil, realizado pela Skyone em parceria com o Grupo TNS.

A pesquisa ouviu 1.971 profissionais e identificou que 43% dos entrevistados desenvolveram esse tipo de solução nos seis meses anteriores ao levantamento. Outros 7% afirmaram que a prática já acontecia anteriormente. 

O avanço da inteligência artificial generativa e das ferramentas de programação simplificada permite que trabalhadores de diferentes áreas desenvolvam recursos tecnológicos sem depender diretamente de equipes especializadas.

Entre os participantes que já criaram alguma solução, 52% desenvolveram automações de processos, como planilhas e fluxos de tarefas repetitivas. Outros 47,6% criaram aplicativos ou sistemas internos, enquanto 33% desenvolveram agentes ou assistentes de inteligência artificial.

Falta de regras preocupa

Apesar da facilidade para criar ferramentas, a pesquisa identificou falhas nas políticas de uso da inteligência artificial nas empresas.

Para 42,9% dos entrevistados, as organizações onde trabalham não possuem diretrizes sobre quais dados corporativos podem ser utilizados em ferramentas de IA. Apenas 26,3% afirmaram que suas empresas têm regras claras e formalizadas.

O levantamento também apontou que 85,2% das pessoas que participaram da criação de soluções desenvolveram os recursos sem envolvimento formal da equipe de TI. Em 51,1% dos casos, o próprio profissional criou a ferramenta individualmente. Em outros 34,1%, o desenvolvimento ocorreu dentro da própria equipe, sem participação oficial da área de tecnologia. 

Esse cenário é associado ao chamado Shadow IT, expressão utilizada para descrever ferramentas e sistemas adotados ou desenvolvidos sem o conhecimento ou a aprovação formal da área responsável pela tecnologia.

Com a popularização da IA, esse fenômeno passa a incluir também aplicativos e sistemas criados pelos próprios funcionários.

Falta de conhecimento técnico é principal barreira

Embora as novas ferramentas facilitem o desenvolvimento de soluções, a falta de conhecimento técnico continua sendo o principal obstáculo para quem deseja criar por conta própria. Essa dificuldade foi mencionada por 52,6% dos entrevistados.

As preocupações com segurança e governança foram citadas por 17,8%, enquanto 17,1% afirmaram não enfrentar impedimentos para desenvolver soluções.

O estudo recomenda que as empresas estabeleçam regras para o uso de dados corporativos, ofereçam ambientes seguros para testes e capacitem os funcionários que utilizam inteligência artificial.

A proposta é permitir que os trabalhadores aproveitem as novas ferramentas para melhorar processos e aumentar a produtividade, sem comprometer a segurança das informações e o funcionamento dos sistemas.

O levantamento também destaca a importância da participação das equipes de TI na avaliação das soluções criadas, principalmente quando elas passam a ser utilizadas por diferentes funcionários ou assumem funções relevantes dentro das organizações.

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