Um casal foi condenado pela Justiça de Goiás a quase 400 anos de prisão por crimes de estupro de vulnerável e armazenamento de material de pornografia infantil contra diversas crianças em Morrinhos, no sul do estado. Segundo o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), os dois utilizavam a própria filha para atrair outras crianças até a residência, sob o pretexto de brincadeiras. A mulher também oferecia serviços de babá como forma de ter acesso a novas vítimas.
A mulher recebeu pena de 159 anos e 17 dias de reclusão, enquanto o homem foi condenado a 204 anos, quatro meses e dez dias. As penas deverão ser cumpridas em regime fechado, e os dois tiveram negado o direito de recorrer em liberdade. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.
De acordo com a Justiça, as vítimas tinham entre 3 e 7 anos. Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, a polícia encontrou cerca de 230 GB de arquivos contendo pornografia infantil produzida pelo próprio casal, incluindo registros de abusos sexuais contra crianças. Os dois foram presos em flagrante.
As investigações apontaram que os crimes ocorreram entre 2021 e 2025 e envolveram pelo menos dez crianças. O caso veio à tona depois que a filha da mulher encontrou no celular da mãe uma mensagem enviada pelo padrasto e mostrou o conteúdo a familiares, que procuraram as autoridades.
Durante o processo, as crianças foram ouvidas por meio de depoimento especial, procedimento utilizado para evitar a revitimização. Segundo o TJ-GO, algumas delas relataram outras possíveis condutas criminosas, que deverão ser investigadas separadamente.
Além das penas de prisão, a Justiça determinou a perda do poder familiar dos condenados em relação aos filhos e o pagamento de indenizações às vítimas. Os valores fixados pela sentença variam conforme os crimes reconhecidos em cada caso.

