Em partida válida pela ida do playoff da UEFA Champions League, o Real Madrid venceu o Benfica por 1 a 0 nesta terça-feira, 17, no Estádio da Luz, em Lisboa. O gol da vitória foi marcado por Vinícius Júnior no segundo tempo, mas o resultado esportivo acabou ficando em segundo plano diante de um grave episódio de racismo ocorrido durante a partida.
O jogo seguia equilibrado até Vinícius abrir o placar para o time espanhol. Na comemoração, houve reclamações de jogadores do Benfica e o brasileiro acabou se envolvendo em uma discussão dentro de campo. Pouco depois, Vinícius acusou o atacante argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, de ter proferido um insulto racista direcionado a ele durante o desentendimento. O jogador do Real Madrid comunicou imediatamente o árbitro francês François Letexier sobre o ocorrido.
Imagens exibidas pela transmissão da partida mostram Prestianni cobrindo a boca com a camisa enquanto fala, gesto frequentemente associado a tentativas de ocultar xingamentos em campo. Diante da denúncia, o árbitro acionou o protocolo antirracismo previsto pela UEFA, interrompendo o jogo por cerca de dez minutos para dialogar com atletas e comissões técnicas das duas equipes. Durante a paralisação, jogadores do Real Madrid se reuniram em apoio a Vinícius, e o clima no estádio ficou tenso.
Após a retomada, a partida seguiu até o fim sem alteração no placar, garantindo a vitória mínima do Real Madrid fora de casa. No entanto, o episódio continuou repercutindo fortemente após o apito final. Vinícius Júnior se manifestou nas redes sociais, condenando o ocorrido e afirmando que não se calará diante de atos racistas, reforçando que o problema segue sendo recorrente no futebol europeu.
Pouco depois da manifestação de Vinícius, Kylian Mbappé, companheiro de equipe no Real Madrid, também se pronunciou em apoio ao brasileiro. O atacante francês destacou que o racismo não pode ser relativizado e declarou solidariedade a Vinícius, ressaltando que situações como essa vão além do futebol e exigem respostas mais firmes das entidades esportivas.
O caso deve ser analisado pelos órgãos disciplinares da UEFA, que podem solicitar imagens, relatórios da arbitragem e depoimentos dos envolvidos. O episódio reacende o debate sobre a eficácia das medidas adotadas para combater o racismo nos estádios e reforça a pressão por punições mais severas quando denúncias desse tipo surgem em competições de alto nível como a Champions League.



