Câncer de intestino cresce entre jovens e preocupa especialistas

O câncer de intestino, historicamente associado à população acima dos 60 anos, está avançando entre os mais jovens. Um estudo publicado na revista The Lancet revelou o aumento da incidência da doença em adultos com menos de 50 anos em 27 países, incluindo o Brasil. “Estamos diante de uma mudança preocupante no perfil epidemiológico do câncer colorretal. A prevenção e o rastreamento precoce precisam ser priorizados”, alerta o oncologista Antonio Carlos Buzaid, diretor do Centro de Oncologia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

O crescimento da doença entre jovens está fortemente ligado à chamada “dieta ocidental”: excesso de carnes processadas, alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas e baixo consumo de fibras. Sedentarismo, sobrepeso e alterações no microbioma intestinal também contribuem para o surgimento precoce de tumores. “Esses fatores geram um ambiente inflamatório que favorece a carcinogênese”, explica Buzaid.

Embora o histórico familiar de câncer de intestino seja relevante, a maioria dos casos em jovens ocorre em pessoas sem predisposição genética. “Quando há herança familiar somada a hábitos inadequados, o risco se acelera — mas os maus hábitos, por si só, já justificam a preocupação”, reforça o médico.

Rastreamento precoce pode salvar vidas

Diante desse novo cenário, sociedades médicas internacionais passaram a recomendar a colonoscopia a partir dos 45 anos — ou até antes, para quem tem parente de primeiro grau diagnosticado precocemente. “A colonoscopia é eficaz porque permite encontrar e remover pólipos antes que evoluam para câncer, prevenindo até 80% dos casos”, destaca Buzaid.

A mensagem é clara: o câncer de intestino deixou de ser uma doença exclusiva da terceira idade. É preciso conscientizar jovens adultos, rever hábitos alimentares e garantir acesso a exames preventivos no tempo certo. Com atitudes simples, é possível reverter essa curva ascendente.

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