O governo da França pretende ampliar as medidas de segurança após um fim de semana marcado por confrontos, saques e depredações durante protestos antigovernamentais. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu que autoridades locais adotem toques de recolher em áreas consideradas críticas para evitar novos episódios de violência.
A medida foi anunciada na segunda-feira (19), depois que manifestações se espalharam por diferentes cidades francesas. Lecornu afirmou que o governo não descarta decretar estado de emergência, mas considera que restrições localizadas são mais adequadas neste momento.
Protestos e prejuízos
Os atos violentos ocorreram após semanas de manifestações estudantis, inicialmente motivadas por problemas nas escolas e ampliadas para incluir reclamações sobre o custo de vida e a redução de serviços públicos.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades francesas, cerca de 2,4 mil pessoas foram presas durante os distúrbios. Quase mil policiais ficaram feridos, e um manifestante morreu após sofrer uma parada cardíaca no sábado (17).
A Federação do Comércio e do Varejo informou que aproximadamente 3 mil estabelecimentos comerciais foram afetados pelos episódios de violência. O setor pediu medidas de apoio para ajudar as empresas a enfrentar os prejuízos.
O governo anunciou que empresas atingidas poderão recorrer a mecanismos de redução temporária da jornada de trabalho, com compensação salarial financiada pelo Estado.
Governo responsabiliza grupos extremistas
Lecornu atribuiu parte dos episódios mais graves à atuação de grupos de extrema esquerda, acusados por ele de tentar desestabilizar o país às vésperas da próxima eleição presidencial.
O posicionamento foi contestado pelo líder da esquerda francesa Jean-Luc Mélenchon, que cobrou provas das acusações.
O presidente Emmanuel Macron também cobrou providências para impedir novos saques e confrontos. Ele rejeitou a oferta de renúncia do ministro do Interior, Laurent Nuñez, e pediu mais transparência sobre as falhas de segurança registradas durante os protestos.
A crise aumenta a pressão sobre o governo francês em um momento de dificuldades econômicas e de discussões sobre o orçamento público. O país se prepara para a próxima eleição presidencial, prevista para 2027.



