Lutador é denunciado por tentativa de homicídio após estrangular adolescente até ele desmaiar em Goiânia

Rafael Gomes Pereira é acusado pelo Ministério Público de Goiás de usar um golpe de “mata-leão” contra jovem de 17 anos durante briga no Jardim Goiás

O lutador de jiu-jitsu e instrutor de muay thai Rafael Gomes Pereira foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) por tentativa de homicídio contra um adolescente de 17 anos, em Goiânia. Segundo a acusação, o jovem foi estrangulado com um golpe conhecido como “mata-leão” e perdeu a consciência durante a agressão.

O caso aconteceu na Praça das Artes, no Jardim Goiás, durante uma confusão registrada no fim de maio. A agressão foi registrada em vídeo e as imagens foram utilizadas nas investigações.

De acordo com o Ministério Público, Rafael teria se aproveitado do fato de o adolescente estar caído e em situação de vulnerabilidade para aplicar a técnica de estrangulamento. O golpe teria sido mantido até que o jovem desmaiasse.

Adolescente teria dito que não queria brigar

Conforme a denúncia, antes de ser imobilizado, o adolescente teria afirmado que não queria entrar em uma briga. Mesmo assim, segundo o MP, as agressões continuaram.

A acusação aponta que Rafael teria desferido chutes contra as pernas do adolescente e, em determinado momento, afirmado que iria matá-lo.

O jovem teria perdido a consciência após o estrangulamento. Testemunhas relataram que as agressões continuaram mesmo depois de ele estar desacordado.

Investigação apontou uso de técnica de artes marciais

A Polícia Civil já havia concluído o inquérito e indiciado Rafael por tentativa de homicídio qualificado por asfixia e corrupção de menores.

Durante a investigação, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) ouviu testemunhas e analisou registros em vídeo da ocorrência.

Para a acusação, o fato de o denunciado possuir conhecimento de técnicas de artes marciais é um dos elementos considerados na avaliação da forma como a agressão ocorreu.

Lutador chegou a ser preso

Após a agressão, Rafael foi preso em flagrante, mas conseguiu liberdade provisória durante audiência de custódia. Na ocasião, a Justiça estabeleceu medidas cautelares, entre elas a proibição de se aproximar da vítima e de locais frequentados pelo adolescente, com distância mínima determinada de 300 metros.

Posteriormente, a Polícia Civil informou que o investigado teria descumprido as medidas impostas e rompido a tornozeleira eletrônica.

Diante disso, a Justiça decretou novamente a prisão preventiva. Rafael se apresentou à polícia em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia, e voltou a ficar detido.

Defesa nega intenção de matar

A defesa do lutador contesta a acusação de tentativa de homicídio e afirma que Rafael não teve intenção de matar o adolescente.

Segundo os advogados, ele teria agido para proteger os próprios filhos durante a confusão. A defesa sustenta ainda que o lutador utilizou técnicas que domina para conter a situação e que os chutes teriam sido uma tentativa de fazer o adolescente recuperar a consciência.

Os advogados também contestam a acusação de descumprimento das medidas cautelares e afirmam que Rafael permaneceu em sua residência, localizada nas proximidades da praça.

Caso será analisado pela Justiça

Com o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, o caso passa a tramitar na Justiça. O acusado ainda terá direito à defesa e ao contraditório.

A denúncia não representa uma condenação. Caberá ao Judiciário analisar as provas reunidas durante a investigação e decidir se Rafael será responsabilizado pelos crimes apontados pelo Ministério Público.

O lutador permanece preso enquanto o processo segue em andamento.

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