Caiado defende tratar facções como terroristas e propõe uso ampliado das Forças Armadas na Amazônia

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, defendeu o enquadramento de facções criminosas que atuam na Amazônia como organizações terroristas. A declaração foi dada durante debate promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), em São Paulo, onde o político apresentou propostas voltadas ao combate ao crime organizado e à segurança nas fronteiras brasileiras.

Durante o evento, Caiado afirmou que o avanço de organizações como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) na região amazônica exige uma mudança na legislação brasileira para ampliar o poder de atuação do Estado e facilitar a cooperação internacional.

Segundo o pré-candidato, caso seja eleito presidente da República, encaminhará ao Congresso Nacional, já no primeiro dia de governo, uma proposta para enquadrar facções criminosas como grupos terroristas. Para Caiado, a medida permitiria atuação mais ampla das Forças Armadas e integração com outros países no combate ao tráfico internacional de drogas e armas.

Ao defender a proposta, Caiado declarou que mais de 250 municípios brasileiros estariam sob influência direta de facções criminosas e afirmou que a região amazônica enfrenta dificuldades de controle territorial devido à ausência de efetivo policial suficiente.

O ex-governador também defendeu uma atuação integrada entre Aeronáutica, Marinha e Exército, além do uso de tecnologia internacional de monitoramento. Segundo ele, o Brasil deve ampliar parcerias com países vizinhos e buscar cooperação tecnológica com os Estados Unidos e nações europeias para reforçar o controle das fronteiras terrestres e marítimas.

Durante sua fala, Caiado relacionou o crescimento das facções ao impacto econômico e comercial sofrido pelo Brasil no exterior. Segundo ele, países europeus e os Estados Unidos vêm manifestando preocupação com o avanço do crime organizado brasileiro em rotas internacionais do narcotráfico.

O pré-candidato também comparou a proposta de integração regional sul-americana a modelos de cooperação policial existentes na Europa, defendendo maior articulação entre forças de segurança dos países vizinhos para atuação conjunta contra organizações criminosas transnacionais.

A discussão sobre o enquadramento de facções como terroristas já apareceu em debates anteriores no Congresso Nacional e entre especialistas em segurança pública. Defensores da medida argumentam que ela ampliaria instrumentos legais de investigação e cooperação internacional. Já críticos apontam possíveis impactos jurídicos e questionamentos sobre o uso da legislação antiterrorismo em crimes ligados ao narcotráfico e ao crime organizado.

A declaração ocorre em meio à intensificação das movimentações políticas para as eleições presidenciais de 2026, período em que temas ligados à segurança pública voltam a ganhar protagonismo no debate nacional.

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