Disputa pela presidência da Alego começa nos bastidores e reúne ao menos sete deputados

A eleição para a presidência da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), prevista para fevereiro de 2027, já movimenta os bastidores políticos do Estado. Mesmo faltando meses para a escolha da nova Mesa Diretora, ao menos sete deputados são mencionados nas articulações para o comando do Legislativo estadual.

Entre os principais nomes estão Issy Quinan (MDB), Virmondes Cruvinel (União Brasil) e Talles Barreto (União Brasil). Também aparecem nas conversas Wilde Cambão (União Brasil), Paulo do Vale (PSD), Cairo Salim (MDB) e Lissauer Vieira (PL).

Segundo informações de bastidores, Issy Quinan tem sido apontado por interlocutores políticos como um dos nomes com maior apoio inicial, especialmente pela proximidade com o governador reeleito Daniel Vilela (MDB). A avaliação, entretanto, ainda não representa um acordo fechado entre os parlamentares.

Antecipação da disputa provoca desconforto

Apesar das movimentações, parte dos deputados considera prematuro iniciar a definição da presidência antes mesmo da posse dos parlamentares eleitos para a próxima legislatura.

Um integrante da base governista, ouvido sob reserva, criticou a antecipação das negociações.

“Tem gente afoita querendo definir a eleição da Mesa Diretora neste momento”, afirmou.

O deputado também questionou a tentativa de estabelecer compromissos políticos com tanta antecedência.

“É uma situação que só vai acontecer em fevereiro. É prematuro discutir isso agora, e tem gente querendo bater o martelo e sacramentar [a disputa] por mero interesse pessoal”, declarou.

O cenário indica que, embora as conversas já tenham começado, a definição do próximo presidente ainda dependerá de negociações entre os deputados e da composição política da nova legislatura.

Vaga no TCM-GO volta às conversas

Paralelamente à disputa pela presidência da Alego, outra discussão antiga voltou a circular entre parlamentares: a possibilidade de indicação de um deputado para uma futura vaga de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO).

O assunto já foi debatido em anos anteriores e chegou a envolver o nome de Talles Barreto, atualmente mencionado também nas articulações para a presidência da Assembleia.

Entretanto, a abertura de uma vaga depende da saída de um dos atuais conselheiros, e não há confirmação de aposentadoria antecipada.

Nos bastidores, são mencionados os nomes de Joaquim de Castro e Valcenôr Braz como possíveis integrantes a deixar o Tribunal.

Ambos, porém, negam a possibilidade de saída antecipada.

“Só sairei quando completar 75 anos”, afirmou Joaquim de Castro, atualmente com 68 anos.

Valcenôr Braz, de 72 anos, poderá permanecer no cargo até 2029, quando completará a idade de aposentadoria compulsória.

Assim, não existe, até o momento, uma vaga confirmada para indicação pela Assembleia.

Wilde Cambão defende discussão após a posse

Entre os deputados mencionados para a presidência da Alego, Wilde Cambão confirmou seu interesse na disputa.

Questionado sobre a retomada das conversas envolvendo uma eventual vaga no TCM-GO, afirmou não ter conhecimento de novas articulações específicas, mas considerou natural que o assunto volte à pauta.

“Todo ano temos isso, mas é uma discussão que também deve ficar para depois da posse dos eleitos”, declarou.

A posição reforça o entendimento de parte dos parlamentares de que as definições sobre a presidência da Assembleia e eventuais indicações para o Tribunal de Contas devem ocorrer somente após a instalação da nova legislatura.

Emenda constitucional impede extinção do TCM

As discussões sobre o futuro do Tribunal de Contas dos Municípios ocorrerão em um contexto jurídico diferente do observado em anos anteriores.

Em maio de 2026, o Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional nº 139, conhecida como PEC da Essencialidade.

A norma reconhece os tribunais de contas dos estados, do Distrito Federal e dos municípios como instituições permanentes e essenciais ao controle externo da administração pública.

Na prática, a alteração constitucional impede a extinção desses órgãos e a criação de novos tribunais dessa natureza.

A mudança tem impacto direto sobre um argumento que já apareceu em discussões políticas anteriores em Goiás: a possibilidade de extinguir o TCM-GO.

Na ocasião da promulgação, o presidente do Tribunal, Joaquim de Castro, comemorou a medida.

“Esta conquista representa uma inestimável vitória não apenas para as instituições, mas para a sociedade brasileira, simbolizando um avanço estrutural na valorização e na garantia da boa governança”, declarou em artigo divulgado pelos canais oficiais do órgão.

Definições ficam para 2027

Com a nova legislatura prestes a assumir, as articulações para a presidência da Alego devem continuar nos próximos meses.

A proximidade política com o governo estadual, os acordos entre partidos e o diálogo com os novos deputados serão fatores presentes nas negociações.

Por enquanto, nenhum dos nomes mencionados possui apoio formal suficiente divulgado para assegurar a presidência.

A eventual indicação de um novo conselheiro para o TCM-GO também depende de uma vaga efetivamente aberta.

As duas discussões movimentam os bastidores da política goiana, mas as decisões concretas permanecem condicionadas à posse dos novos parlamentares e aos procedimentos institucionais previstos para 2027.

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