O goiano Olavo Noleto (PT), ex-secretário-executivo do Ministério das Relações Institucionais, aparece entre os nomes mencionados em relatos atribuídos ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre supostas negociações irregulares envolvendo integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (9) pela revista Veja e envolvem alegações de cobrança de comissões ilegais para facilitar investimentos de fundos de pensão no Banco Master. Vorcaro também teria afirmado que destinou R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao financiamento de um documentário sobre a trajetória de Lula.
As acusações ainda não foram comprovadas. Os relatos foram apresentados por Vorcaro durante tentativas de negociação de colaboração premiada, que não avançaram na Procuradoria-Geral da República (PGR).
Noleto, que atuava como braço direito do então ministro Alexandre Padilha no Palácio do Planalto, teria participado de contatos e reuniões com o banqueiro. A existência desses encontros, entretanto, não comprova participação em irregularidades.
Procurado pela CNN Brasil, Noleto informou que não se manifestaria. O Mais Goiás também buscou contato com o ex-secretário, mantendo espaço aberto para esclarecimentos.
Mensagens apontam contatos e encontros com o ex-banqueiro
Segundo a Veja, mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro registram contatos entre o banqueiro e Olavo Noleto, além de referências a encontros reservados.
A aproximação teria começado entre o fim de 2023 e o início de 2024, período em que o Banco Master buscava ampliar a captação de recursos de fundos de previdência vinculados a empresas estatais.
De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, o contato com Noleto ocorreu por intermédio de um operador identificado como Júlio, que teria acesso ao gabinete de Alexandre Padilha.
A reportagem menciona ainda uma mensagem do empresário e ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, na qual ele teria informado ao banqueiro que Noleto demonstrara uma impressão favorável a seu respeito.
Vorcaro também relatou uma reunião com Padilha em que, segundo sua versão, o então ministro teria apresentado Noleto como interlocutor nas tratativas.
O ex-banqueiro atribui a Padilha a orientação de que negociações conduzidas com o secretário-executivo teriam o mesmo peso de conversas realizadas diretamente com o ministro.
Essa versão integra as declarações de Vorcaro e não foi demonstrada de forma independente.
Jantar em Brasília não constou da agenda oficial
A relação entre Noleto e Vorcaro também aparece em mensagens divulgadas anteriormente pela Folha de S.Paulo.
Em 23 de outubro de 2024, o ex-secretário-executivo participou de um jantar na residência do banqueiro, em Brasília, ao lado de Alexandre Padilha e outros convidados.
O encontro ocorreu por volta das 22h e não constou da agenda oficial do então ministro.
Segundo as mensagens, um intermediário identificado como Júlio Cezar confirmou previamente a presença de Padilha e Noleto e, posteriormente, informou que os convidados estavam a caminho do endereço.
Questionados anteriormente sobre o episódio, Padilha e Noleto não detalharam o conteúdo da reunião.
Em manifestação encaminhada pela assessoria do ministro, foi informado que Padilha participava regularmente de encontros com representantes de diferentes setores e que o jantar não teve desdobramentos.
A Veja relata ainda que, após esse encontro, as conversas passaram a abordar a possibilidade de uma reunião entre Vorcaro e Lula.
O presidente recebeu o banqueiro no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024.
Vorcaro relata suposta cobrança de comissões de 10%
Um dos pontos centrais dos relatos atribuídos ao ex-controlador do Banco Master envolve a suposta cobrança de comissões de 10% sobre operações de investimento de fundos de pensão na instituição financeira.
Segundo a Veja, Vorcaro mencionou o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, Alexandre Padilha, Olavo Noleto e intermediários como personagens das articulações.
O banqueiro afirmou ter recebido propostas de pagamentos ilegais em troca da liberação de recursos previdenciários.
Em abril de 2024, o Banco Master passou a integrar uma relação de instituições autorizadas a receber investimentos de determinados fundos de previdência.
De acordo com a reportagem, mensagens indicariam que um intermediário cobrou R$ 500 mil de Vorcaro no mesmo dia em que ocorreu a autorização.
O ex-banqueiro também alegou que operações relacionadas a fundos municipais teriam gerado pagamentos de pelo menos R$ 6 milhões a participantes do suposto esquema.
Não há, nas informações divulgadas, comprovação independente de que as comissões tenham sido efetivamente pagas ou de que os agentes políticos citados tenham participado de atos ilícitos.
Ex-banqueiro menciona R$ 30 milhões para documentário sobre Lula
Outra afirmação atribuída a Vorcaro envolve o suposto financiamento de um documentário sobre a trajetória política do presidente Lula.
Segundo a Veja, o ex-controlador do Banco Master teria relatado a destinação de aproximadamente R$ 30 milhões em espécie para a produção, associada ao cineasta norte-americano Oliver Stone.
A alegação não veio acompanhada, nas informações apresentadas, de documentação que comprove a entrega do dinheiro, sua destinação ou eventual conhecimento dos envolvidos na produção.
A menção ao documentário também não estabelece, por si só, qualquer participação do presidente Lula em uma operação irregular.
Acusações ainda dependem de comprovação
Os relatos atribuídos a Daniel Vorcaro fazem parte de tentativas de colaboração premiada que não foram levadas adiante pela Procuradoria-Geral da República.
Embora mensagens e registros de encontros possam confirmar contatos entre os personagens mencionados, as acusações de pagamento de propina e financiamento irregular exigem provas específicas.
Até o momento, as informações apresentadas não permitem concluir que Olavo Noleto, Alexandre Padilha ou os demais citados tenham cometido os ilícitos descritos pelo ex-banqueiro.
O caso permanece cercado de questionamentos sobre a natureza dos contatos entre o Banco Master e integrantes do governo federal, enquanto as alegações divulgadas aguardam esclarecimentos e eventual comprovação pelas autoridades competentes.



