O deputado federal reeleito Rubens Otoni (PT) afirmou, nesta sexta-feira (9), que a vereadora Aava Santiago (PSB) poderia ter conquistado uma cadeira na Câmara dos Deputados caso tivesse aceitado o convite para se filiar ao Partido dos Trabalhadores. A declaração foi feita durante entrevista à Rádio Manchester, após o resultado das eleições de domingo (4).
Aava recebeu 123.311 votos, tornando-se a sétima candidata a deputada federal mais votada de Goiás. Apesar da votação expressiva, não conseguiu se eleger porque o PSB não alcançou os requisitos do sistema proporcional para conquistar uma vaga.
Segundo Rubens Otoni, a filiação da parlamentar ao PT poderia ter alterado a distribuição das cadeiras e ampliado a representação da esquerda goiana no Congresso Nacional.
O deputado ressaltou que não se trata de lamentar uma decisão tomada pela vereadora, mas de observar um cenário eleitoral que poderia ter produzido um resultado diferente.
Aava teve mais de 123 mil votos, mas PSB não conquistou vaga
A votação de Aava Santiago chamou atenção pela diferença em relação ao desempenho dos demais candidatos do PSB.
Enquanto a vereadora recebeu 123.311 votos, o segundo candidato mais votado da chapa obteve apenas 4.564.
Desconsiderando os votos de Aava, os demais candidatos e votos da legenda somaram 34.938, conforme os números apresentados.
O desempenho evidencia a concentração da votação do partido em uma única candidatura.
No sistema proporcional brasileiro, utilizado nas eleições para deputado federal, o número de votos individuais não é o único critério para a conquista de uma cadeira. Também são considerados os votos totais obtidos pelo partido ou federação, além das regras de distribuição de vagas.
Por isso, mesmo figurando entre os candidatos mais votados de Goiás, Aava não conseguiu assegurar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
PT reelegeu Adriana Accorsi e Rubens Otoni
Diferentemente do PSB, o Partido dos Trabalhadores conseguiu reeleger seus dois representantes goianos na Câmara dos Deputados.
Adriana Accorsi (PT) recebeu 177.103 votos e terminou a eleição como a segunda candidata mais votada para deputada federal em Goiás.
Rubens Otoni conquistou 101.902 votos e também garantiu a permanência no Congresso Nacional.
Durante a entrevista, o parlamentar avaliou que a presença de Aava na chapa petista poderia ter fortalecido o desempenho eleitoral do campo político de esquerda.
Entretanto, a eventual eleição da vereadora pelo PT dependeria da distribuição dos votos e da aplicação das regras do sistema proporcional. Assim, a hipótese mencionada por Otoni não representa uma garantia de que a mudança de partido teria resultado em sua eleição.
Aava também perdeu mandato na Câmara de Goiânia
Além de não conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados, Aava Santiago enfrentou nesta semana outro revés em sua trajetória política.
Na terça-feira (6), o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) rejeitou os embargos de declaração apresentados pela parlamentar e manteve a decisão de perda de seu mandato de vereadora por infidelidade partidária.
A ação foi proposta pelo PSDB, partido pelo qual Aava havia sido eleita em 2024 e que deixou em janeiro de 2026 para ingressar no PSB.
A Justiça Eleitoral entendeu que a mudança ocorreu fora da janela partidária e sem justa causa reconhecida.
Na tarde desta sexta-feira (9), Michel Magul (PSDB), primeiro suplente da legenda, tomou posse na Câmara Municipal de Goiânia, assumindo a cadeira anteriormente ocupada por Aava.
A defesa da parlamentar anunciou que recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com pedido de efeito suspensivo, na tentativa de reverter a cassação.
Declaração ocorre em meio à reorganização política da esquerda
A avaliação de Rubens Otoni ocorre poucos dias após as eleições gerais e em um momento de reorganização das forças partidárias em Goiás.
A votação de Aava Santiago, mesmo sem resultar em uma cadeira na Câmara dos Deputados, tornou-se um dos exemplos do peso das chapas partidárias na disputa proporcional.
Ao comentar o convite feito à parlamentar, Otoni destacou uma possibilidade de composição política que não se concretizou antes da eleição.
Aava encerrou a disputa com mais votos que diversos candidatos eleitos, mas ficou sem mandato federal e, nesta sexta-feira, também perdeu sua cadeira na Câmara de Goiânia. A parlamentar ainda busca reverter a decisão de cassação na Justiça Eleitoral.



