O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) prepara para a próxima terça-feira (13), em São Paulo, o anúncio de apoio de parte majoritária de seus diretórios estaduais à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. A informação foi divulgada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo.
A expectativa é de que dirigentes de 15 a 17 estados manifestem apoio ao candidato do PL. Os demais diretórios deverão manter posição de neutralidade ou declarar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A movimentação evidencia as diferentes posições existentes dentro do MDB, partido que reúne lideranças com alinhamentos políticos distintos em várias regiões do país.
As articulações começaram na segunda-feira (5) e são conduzidas pelo presidente nacional da legenda, Baleia Rossi, com participação do governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Daniel Vilela ganha protagonismo na articulação nacional
Reeleito governador de Goiás no primeiro turno, Daniel Vilela passou a atuar diretamente nas conversas para ampliar o apoio político a Flávio Bolsonaro.
Nesta semana, o emedebista participou de um evento em Goiânia ao lado do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), do senador Wilder Morais (PL), da senadora eleita Gracinha Caiado (União Brasil) e de outras lideranças políticas.
O encontro reuniu, segundo os organizadores, mais de 160 prefeitos e marcou a formalização do apoio do grupo político liderado por Caiado e Daniel à candidatura presidencial do PL.
Durante o discurso, Daniel afirmou que seus aliados estarão mobilizados nas semanas que antecedem o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
“Saiba que esse grupo estará ao seu lado de corpo e alma, dedicado ao longo dessas próximas três semanas para poder ampliar ainda mais a sua votação aqui no nosso Estado”, declarou.
O governador também fez críticas ao governo Lula e afirmou que Goiás teria sido prejudicado por divergências políticas com a administração federal.
“O Brasil sofreu muito nesses últimos quatro anos e aqui em Goiás não foi diferente. O nosso Estado vem sendo muito penalizado por ser feito da parte do atual governo a distinção em relação aos nossos posicionamentos políticos”, afirmou.
As declarações refletem a avaliação política de Daniel sobre a relação entre Goiás e o governo federal.
MDB deve manter posições diferentes entre os estados
Embora a maioria dos diretórios estaduais possa anunciar apoio a Flávio Bolsonaro, a movimentação não significa necessariamente uma adesão unânime do MDB à candidatura presidencial.
A legenda possui diferentes grupos regionais e mantém relações políticas tanto com aliados do PL quanto com integrantes da base de apoio do presidente Lula.
Por isso, a articulação em andamento busca reunir os diretórios favoráveis a Flávio, preservando a possibilidade de posicionamentos diferentes em outras unidades da Federação.
A definição sobre eventual manifestação institucional do partido dependerá das instâncias competentes da legenda.
O anúncio previsto para São Paulo deverá esclarecer quais estados participarão da declaração e como será organizada a atuação dos dirigentes durante o segundo turno.
Apoio em Goiás abre caminho para mobilização nacional
A participação de Daniel Vilela nas negociações nacionais ocorre poucos dias depois da aproximação entre Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro.
Adversários na disputa presidencial do primeiro turno, Caiado e Flávio chegaram a um entendimento político após conversas que envolveram compromissos programáticos apresentados pelo ex-governador goiano.
Em Goiânia, Daniel também declarou que seu grupo pretende atuar para ampliar a votação de Flávio em Goiás.
Ao se dirigir ao candidato, o governador afirmou:
“Goiás hoje te recebe com muito entusiasmo e com grande expectativa. Nós depositamos na sua pessoa essa mudança tão desejada pelos brasileiros.”
Agora, a movimentação deixa o âmbito estadual e passa a envolver diretamente dirigentes do MDB de diferentes regiões do país.
O anúncio previsto para terça-feira (13) deverá indicar a dimensão do apoio dos diretórios emedebistas a Flávio Bolsonaro e revelar como o partido estará dividido politicamente na reta final da eleição presidencial.



